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Jacob Boehme e a Aurora Nascente

Publicado em: 24/8/2012

Autor: A. Sommnerman


Jacob Boehme (1574-1625) e A Aurora Nascente. Que dizer sobre um e outro? Há, aqui, algo de espantoso e impronunciável. Não foram poucos os homens mais sinceros e austeros, mais qualificados moral, intelectual e espiritualmente que, ao se depararem com esse autor e essa obra, tiveram, como impressão predominante, o assombro.

 

Exemplo disso são as palavras de Louis Claude de Saint-Martin, um dos importantes nomes da tradição espiritual do Ocidente no séc. XVIII, autor de muitas obras ainda hoje consagradas, que começou a aprender alemão já próximo dos 50 anos de idade, após haver tomado conhecimento das obras de Boehme através das traduções inglesas, apenas para lê-las no original: "Encontro em suas obras uma solidez inabalável, uma profundidade, uma elevação e um alimento tão pleno e infalível que considero perda de tempo buscar tais coisas em outro lugar". "Aconselho-o a, por todos os meios, lançar-se nesse abismo de conhecimento das mais profundas de todas as verdades". "Não sou digno de desatar os cadarços desse homem admirável." (Cartas a Kirchberger).

 

Jacob Boehme é considerado um dos mais poderosos gênios me­tafísicos da história da humanidade. Sua obra é o maior monumen­to de conhecimentos cosmogônicos, cosmológicos e escatológicos do cristianismo. Desde seu surgimento, o núcleo mais interior da tradição ocidental judaico-cristã foi sempre alimentado por ela, no seio da qual foi alcunhado "Príncipe dos Filósofos Divinos".

Há fortes indícios de que sua influência chegou até Newton e contri­buiu inclusive para a elaboração da lei da gravidade.

 

Foi lido por todos os mais destacados filósofos alemães como Leibniz, Hegel, Fichte, Schelling e Franz von Baader, cujas obras trazem, de ma­neira mais evidente em uns, menos em outros, a marca de sua presença, sendo que as dos dois últimos são exegeses filosóficas das revelações de Boehme. Schopenhauer escreveu: "Por que as mesmas figuras e formas que nas obras de Boehme enchem-me de admiração e espanto, nos es­critos de Hegel me parecem insuportáveis e ridículas? Porque nos escri­tos de Boehme o conhecimento da verdade eterna fala a cada página..." (.Handschriften, Nachlass, p. 261).

 

Os poetas do romantismo, Tieck, Schlegel e Novalis também foram seus leitores e admiradores. Este último, em seguida à morte de sua noiva Sophia von Kühn, dedicou-se à leitura de suas obras e, numa de suas cartas a Ludwig Tieck, escreveu: "Neste momento estou lendo continuamente Jacob Boehme e começo a entendê-lo como deve ser entendido. Nele vê- se a poderosa primavera com suas forças que nascem, movimentam-se e misturam-se e de dentro para fora engendram a criação do mundo; um verdadeiro caos de obscuro desejo e vida maravilhosa".

 

Quando Goethe, aos 19 anos, estudando direito na Universidade de Leipzig, teve uma he­morragia que quase o conduziu à morte, sua família confiou-o aos cuida­dos do dr. Johan-Friedrich Metz, que rapidamente o curou e, vendo suas qualificações humanas e intelectuais, revelou-lhe as obras de Paracelso, Van Helmont, Gottfried Arnold e Jacob Boehme. Mais tarde, Goethe, falando dessa enfermidade, escreverá: "Eu era um náufrago, mais doente da alma do que do corpo".

 

A Aurora Nascente é uma das obras máximas do Ocidente; é uma grande porta aberta através da qual é possível vislumbrar o esplendor do conhecimento divino. Não é por acaso que seu subtítulo é a raiz da filosofia, da astrologia e da teologia, pois coloca os reais fundamentos dessas ciências, que não estão no tempo e no cosmo visível, mas na eternidade e no metacosmo.


 A Aurora Nascente está disponível em nossa  seção de livros

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